Chega um determinado momento em que eu tenho de expor o que está na minha cabeça, pra poder aliviar não apenas a mente, mas também o aperto no peito. Este post é exclusivamente sobre a noite de 23 para 24 de dezembro de 2010, onde eu pensei BASTANTE se deveria ou não sair de casa.
Lílian me comunicou pelo facebook que teria coisa boa na rua da moeda. Wilson depois me confirmou quais bandas seriam. Curti muito… mesmo assim, ainda não tinha me dado aquela ~vontade~ mesmo já tendo dito “claro que eu vou!”
Essa história começou antes do dia 23/12. PROVAVELMENTE uma semana antes… e Eu, como sempre, sou o ultimo a saber o que se passa.
A uma semana atrás, eu estava num amigo secreto, no bar parafusos. Tudo corria bem na medida do possível, já que duas pessoas haviam feito a fuleragem de não vir… mas conseguimos mesmo assim nos reorganizar para que todos “recebessem o presente”. Leo não estava satisfeito porque não havia entrado no amigo secreto. Provavelmente não abriu o e-mail ou o convite estava no lixo eletrônico. WHATEVER.
Além da sua indignação com o amigo secreto, ele me disse que estava “solteiro”. ~AHAN~. Achei melhor nem pergutar o porquê…
Como eu havia imaginado, a solteirice dele não duraria muito tempo… já que Caju havia ligado uns 10 minutos depois dele me dizer isto, anunciando que estava chegando pra conversar. Pensei eu: FFFFFFUUUU- vai ter confusão aqui… e já estou sem saco pra ficar me mentendo em briguinha de namorados bêbados.
E assim foi… depois das trocas de presentes, fomos a rua tomazina, no bar Garagem. tinha de pagar pra entrar e nós havíamos decidido não entrar e pagar numa merda que toca música que a gente tem em casa. Resolvemos ficar ali bem na frente, dançando na brinks, bebendo e conversado… tudo tranquilo até chegar um idiota. Desculpe o “preconceito”, mas eu não aguento esse tipinho palhaço-alternativo. Vou tentar descrever a figura:
- óculos redondinho intelectual retrô
- barbão de comunista
- chapéu de velhinho, que joga xadrês com outros aposentados na pracinha
- camisa colorida desbotada, tipo aquelas grafitadas e lavadas pencas de vezes… meio “anos 60″
- casaco cinza de vigia… ou seria de cobrador de ônibus? só sei que usada com muito esmero e tratado como um artigo caríssimo. talvez seja porque pegou escondido do papai;
- calça folote de algodão ~listrada~ parecendo mais uma estopa
- sandália de couro.
provavelmente um estudante revolucionário, partidário, super cult, fuck the fashion, MEUCU. Pra mim um palhaço. Tanto ele notou o meu incômodo com sua presença que de todos no local, ele era o único que não me dirigia a palavra. Achei muito bom. Só confirmei o quanto ele era imbecil, quando depois de bêbado, ficou brincando de levar choque num poste da rua que estava vazando corrente elétrica.
Junto com o palhaço, veio mais outro a tira colo, um pouco mais simpático (que depois ficou um pouco interessante, depois que a bebida tinha feito efeito). Além dele, um outro descaradamente me cantando, oferecendo cerveja. Eu com a cara feia, dizia que não queria… e pra ver se a peça se tocava, eu bebia a de outro amigo. Obviamente que isso não surtiu efeito e ele TEVE de vir até mim e perguntar o nome, ficar segurando minha mão e pedir que eu ficasse mais um tempinho por ali. Eu já tinha então motivo suficiente de pagar pra entrar no bar… e assim o fiz.
Enquanto isso Leo e Caju ficavam se agarrando, se beijavam… Leo surtava, queria que ele o soltasse… depois se deixava pegar… ficavam entre tapas e beijos etc etc etc. Notei que ele quase chorou num momento desses.. mas e daí? bêbado… só podia.
Essa noite acabou até bem… voltei pra casa, depois de esperar muito o ônibus, já com o sol matando de tão quente.
———
Acontece então que NESTE dia 23, eu acabo por resolver minha vidinha ~FOREVER ALONE~ e sair pra encontrar todo mundo e curtir os shows. Tava tudo dando muito certo: ônibus chegou rápido, encontrei gente querida, fui recebido com muita alegria por todos da mesa, que vinham me abraçar… e eu me sentindo muitíssimo bem!
Acontece que na mesa, tinha um rapaz Francês, que Van havia ficado, que estava sendo o centro de atenção na mesa. cumprimentei e pronto… ok. Outros amigos de Van estavam mais próximos do palco… aí ela me chamou pra junto e leo não quis ir pra perto… ficou uma coisa bem dividida. Eu nem imaginava o porquê.
Entre as pessoas que estavam lá, tinha uma que havia me notado… e passou a me olhar bastante… e sorrir. Eu obviamente retribuia… mas não fui até lá. passaram as apresentações e eu vez em quando virava e o via lá… sorrindo e olhando. Também era francês… mas eu não sabia se eu deveria ou não chegar e falar algo. Achei melhor não. Enquanto isso, Leo olhava para o grupo onde Van estava, mais atrás, pra onde eu também olhava… e eu queria entender o motivo. Eu pensava: “bêbado… claro! está delirando e vendo algo que não está gostando” pois não era a primeira vez que ele fazia isso… Ele gesticulava com as mãos como se quisesse estrangular alguém… e apertava os olhos. Eu dava um abraço nele e fazia desviar a atenção.
Leo me dizia: Binho, nunca suma da minha vida, pois eu amo você.
Eu respondia que também o amava, que eu poderia passar um tempo sumido, mas que não seria pra sempre… como eu sempre digo.
E assim passava a noite, acabava o ultimo show… e Vanessa por fim chegou próximo e eu tive que perguntar a ela sobre o francês… queria apenas informações.
- Quem é aquele de camisa preta e bigode, hein?
- Jean Baptiste! gostou foi?
- Jean Baptiste… achei interessante! mas é que-
aí o rapaz passa do nosso lado e ela o pega pelo braço e fala: “esse aqui é?”
FIQUEI MORTO.
ele sorriu gentilmente outra vez e perguntou o meu nome. ficamos dançando eu ele e Van alí perto… tudo ia muito bem. De repente, Leo voa em cima do menino, dando murro e as pessoas ao redor logo se afastaram formando uma roda… os dois atracados no chão, leo já apanhando dele e eu e Van atônitos… Caju foi até lá com um outro amigo e arrancaram ele de lá… Van, puxou Jean e outros amigos o levaram pra longe. Ficamos parados eu e ela… Leo manifestado, ainda tentando se soltar, foi levado pra uma outra rua que chega na Downtown… fiquei parado sem saber o que fazer. Vanessa Foi pra junto do Jean… e eu preferi continuar só… no meio da multidão, sem saber o que fazer… raciocinando o acontecido. O que levou Leo agredir o cara? era então essa pessoa que ele olhava a distância, querendo matar? QUAL O MOTIVO?
Fui procurar o pessoal que estava com leo, AINDA imobilizado, tentando voltar até lá pra continuar a briga… ele estava fora de si… todos gritavam com ele, tentando o “acalmar”, praticamente como um exorcismo, em cima de um carro, em frente a Downtown. As pessoas se dividiam rindo ou assustadas, tentando saber o que se passava. Caju chorava de um lado, com uma marca pulada no rosto, sangrando. um outro amigo dele, todo sujo de lama, depois de tentar segurar Leo. O próprio, com um olho inchado, ferido, ficando roxo e fechado, sem os óculos, com o celular na mão e a camisa vermelha e calça cinza já preta de ter se caido naquele chão sujo. Ninguém o controlava. Gritava, esperniava e insistia em voltar pra rua da moeda. quase derrubou a mesa de uma pessoa ali no local. Eu e o amigo de Caju o arrastamos pra rua do canal das belas artes, sentido marco zero. Eu tentava em vão, fazer ele se acalmar… o abraçava, pedia pra ele me escutar… e ele gritava que queria ir embora e que todos o deixassem sozinho. depois de um bom tempo assim, conseguimos que ele ficasse menos transtornado. Só foi encontrar Caju em frente a downtown pra voltar a loucura. Vanessa e eu pedimos pra Caju ir embora… que chorava bêbado sem saber o que fazer. Arrastamos ele até um lugar que pegasse um taxi… mas ele não queria ir e deixar Leo daquele jeito.
Van por fim me contou o motivo: Caju havia traído Leo com Jean Baptiste. Isso na hora doeu tanto em mim.. quanto eu acho que estava em Leo. Me disse ainda que havia um tempo isso. Será então que foi naquela semana passada, que Leo me disse que estava “solteiro”? era esse o motivo? era por isso que ele tava quase chorando no dia do amigo secreto?
Como Caju havia sido hipócrita a esse ponto… de dizer que amava leo e que havia encontrado um porto seguro… e que não o traía? E Jean Sabia que ele namorava? Isso pra mim nem importava… Eu não queria mais saber de nada. Eu me sentia péssimo… Essa minha maldita empatia. Enquanto isso, Leo continuava dando trabalho. estávamos na rua entre a igreja e o paço. ele estirado no chão… imobilizado. Caju, olhando da esquina, chorando… eu, desapontado… com vontade de chorar… comecei a gritar com Leandro, dizendo que não aguentava mais, que não era a primeira vez que ele dava esse show.. Vanessa o chamou de louco, disse que ele precisava se tratar. Me afastei, fui até Caju e pedi que ele fosse embora. Eu aí ja estava chorando, apenas repetindo que ele fosse embora que ele não iria conseguir resolver nada disso no momento. que eles conversassem quando passasse o álcool. Leo saiu correndo em direção ao cais de Santa Rita. Caju não arredou o pé e continuou por lá… me pediu pra saber onde ele estava e ligar. Ele atendeu o telefone e disse que estava agora no marco zero e queria falar com Vanessa. Eu disse que ia até onde ele estava… sozinho. Disse a Caju que ele estava indo pra casa… pra ele não querer ir atrás de mim. parte do pessoal o levou para cais. eu fui até Van, pra falar que leo queria falar com ela. Ela não quis… pedi os óculos dele que ela havia guardado, me despedi do Jean bem distante… e parti pro marco zero.
Leo estava encostado numa palmeira, de olhos fechados… entreguei os óculos pra ele, sentei no chão ao seu lado e comecei a chorar de novo. Disse que entendia o que ele havia passado… e que só queria vê-lo bem… melhor disso tudo. Ele perguntou por todos e eu disse que tinham todos ido embora… obviamente ele não acreditou e usando a desculpa que queria ir pra casa, me fez passar por todos os lugares que o pessoal poderia estar. Constatando que não havia mais ninguém, praticamente foi correndo pro cais.
No final da ponte, tenho a infelicidade de ver que Vanessa e os franceses estão bem na nossa frente. Falei de tudo pra frear Leo e fazer ele andar mais devagar… olhar pra trás, mesmo que fôssemos assaltados… pra eles não se encontrarem. Vanessa percebeu e também acelerou os passos deles. Depois tive ainda que desviar a atenção de Leo de Caju, que ainda estava na mesma plataforma que a nossa, esperando o ônibus. Pensei que tudo estava por hora controlado. Quando eu peguei o maldito último bacurau, a menina bate no vidro me chamando do outro lado, dizendo que Leandro estava voltando pra falar com Caju.
Sinto MUITÍSSIMO. Fui pra casa, não quis saber, não liguei pra ter notícias e só quero saber depois o que ficou resolvido. Acho que já foi demais pro Natal 2010.
Me desapontei demais. Só digo mais isso.